A Cielo, maior processadora de pagamentos do país, mostrou nesta quarta-feira suas novas armas para segurar o cliente em meio à guerra das maquininhas de cartão, que esquentou após a concorrente Rede zerar as taxas de antecipação de recebíveis na semana passada.

A partir de agora, o cliente da Cielo – controlada pelo Bradesco e pelo Banco do Brasil – pode se tornar dono da maquininha depois de três meses passando o valor mínimo de 1.600 reais no crédito ou de 4.000 reais no débito a cada mês. A processadora também vai diminuir de dois dias para instantâneo o prazo de repasse ao lojista das compras com cartão, mas cobrando taxas: 1,99% sobre transações no débito, 4,99% no crédito e 5,99% no parcelado. O serviço pode ser contratado por clientes que tenham a conta digital da Cielo.

O objetivo das mudanças é garantir o menor custo do pacote completo para o varejista, disse nesta quarta-feira o presidente da Cielo, Paulo Caffarelli, em conversa com analistas e jornalistas sobre os resultados do primeiro trimestre de 2019. “Queremos que o comerciante saiba exatamente quanto está pagando no final. Estamos focando nessa comparação”, disse o executivo, que não quis comentar as medidas tomadas pela concorrência.

As novidades tendem a apertar ainda mais os resultados decrescentes da empresa. O balanço do período de janeiro a março mostrou uma queda de 40% do lucro líquido ante o mesmo intervalo do ano passado, para 548,5 milhões de reais. Mas a Cielo prefere olhar para o copo meio cheio: pela primeira vez desde 2016, a base de clientes cresceu. O aumento foi de 6% na comparação trimestral, para 1,2 milhão de lojistas ativos. A receita se manteve praticamente estável em 2,77 bilhões de reais.

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Apesar da queda, o lucro ficou dentro das expectativas da empresa para o primeiro trimestre. A Cielo por ora não vai revisar a sua projeção de lucro para 2019, que é entre 2,3 e 2,6 bilhões de reais. “Saímos da mentalidade de rentabilidade para a de participação de mercado. Todos os nossos movimentos agora são para aumentar o número de clientes”, afirmou Caffarelli. Gustavo Sousa, diretor financeiro, completou: “Não podemos olhar a Cielo pelo momento, mas sim pelos resultados no médio e longo prazo da estratégia para aumentar o número de clientes dentro da nossa busca por eficiência operacional”.

Nos últimos anos, a processadora, que já reinou absoluta no mercado de cartões, tem sofrido com a concorrência, o que aperta as suas margens. Entre 2015 e 2018, enquanto a sua receita anual subiu 5,4%, para 11,7 bilhões de reais, o lucro recuou 11%, para 3,3 bilhões de reais. O valor de mercado da companhia caiu 57% em três anos, para cerca de 23 bilhões de reais. No final da manhã desta quarta-feira, as ações da Cielo perdiam 1,1% na bolsa brasileira B3, cotadas a 8,26 reais, o que significa uma capitalização de 22,7 bilhões de reais. O Ibovespa recuava 1,3%, para 94.696 pontos.

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Fonte: Exame Abril

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